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03 março, 2016

Miss Marvel - Nada normal / A personagem em todos nós


        Miss Marvel





  Começo afirmando que estou completamente apaixonada pelo HQ e não vejo a hora de lançarem os próximos no Brasil. A protagonista, Kamala, ganha, no roteiro, destaque em relação a outros personagens muçulmanos, entre os personagens de minorias no HQs, e isso por não ser tratada como um outro, partindo do conceito explorado por Simone de Beauvoir. Em linhas gerais, Beauvoir, faz referência a respeito da existência, que não existe senão se fazendo ser. A condição de ser livre é efetuar a passagem da natureza para a moralidade, fundando através de nossa existência uma liberdade autentica, ou seja, realizar-se como liberdade é levar um impulso direto ao outro, colocando a presença do objeto como sua própria presença. Desse modo, já deixo evidente que se trata de uma personagem de puro empoderamento feminino, o que me fez vibrar a cada requadro lido. O roteiro gira em torno   de uma adolescente, cheia de conflitos internos, conflitos com os pais, com a sociedade e sua escolha religiosa, dividida entre culturas, mas sem misturar cultura e religião como muitos fazem, nerd, aficcionada por fanfic e tudo isso de maneira bem próxima ao mundo real, nada de exploração de belos pares de coxas, seios fartos, uniforme fetiche, mas sim uma adolescente feminina que cresce à medida que se desamarra dos ditames da sociedade e se assume como quer e acredita que deva ser.







 Como colocado anteriormente, Kamala, não é a primeira personagem muçulmana, antes dela temos Simon Baz -  Lanterna Verde , Nighttrunner, criado para um dos arcos em Batman e o agente secreto Naif Al-Sheikh (todos esses pela DC), pela Marvel temos Sooraya Qadir (vulgo Pó) uma x-men.





Contudo, fugindo ao conceito dos personagens muçulmanos citados anteriormente, a menina que nasceu em Jersey City, mas de família paquistanesa e muçulmana, a qual tem seus conflitos como toda adolescente, tanto em relação a sua religião, quanto à cultura de seus pais, além de conflitos sobre o certo e errado, trazem, quase de imediato, aproximação com qualquer adolescente, e isso seja qual for sua nacionalidade, religião ou escolha ideológica.


  



Por isso, essa personagem pode ser considerada como a revelação das personagens de minoria, mostrando que a Marvel busca muito mais que vender quadrinhos, mas promover o objetivo de todo HQ, reflexão, quebra de estereótipos, além de um mundo além do imaginável. Mas, voltando ao roteiro, o ápice da personagem se constrói mesmo quando somos instigados a refletir sobre um modelo perfeito, no qual ela evolui quando deixa de seguir padrões impostos e se assume na própria essência. A garota, que antes tinha como modelo perfeito uma loira de olhos azuis, corpo escultural, aceita pela maioria, passa a entender que ser única e imperfeita é o que faz dela, Kamala, como diz seu próprio nome e no paradoxo universal, perfeita.




   Sobre a roteirista, a qual espero ansiosamente pela visita ao Brasil e quem sabe na próxima Comic Con (teria um mini-infarto), trata-se de uma mulher, convertida ao Islam quando se especializou em Literatura Árabe, 33 anos, G. Willow Wilson (Gwendolyn Willow Wilson).



   Ganhadora do Prêmio Hugo, para melhor história em quadrinhos, essa mente espetacular começou sua carreira como escritora aos 17 anos quando escrevia para o Boston's Weekly Digg, um jornal alternativo da cidade de Boston, como crítica de música. Depois de se graduar na faculdade se mudou para o Cairo, no Egito, onde se tornou a primeira mulher ocidental a entrevistar o Xeique Ali Gomaa, um dos mais influentes clérigos do islã moderno. Ela também é uma leitora assídua de histórias em quadrinhos desde seus onze anos de idade, quando leu pela primeira vez uma edição de Uncanny X-Men. Atualmente, além de colaborar com veículos jornalísticos, é também escritora do selo Vertigo, da editora norte-americana DC Comics. Entre seus trabalhos para a editora estão uma temporada no título mensal Os Renegados, a minissérie Vixen: Return of the Lion e as graphic novels Air e Cairo, sendo que esta última ainda vem sendo publicada desde 2008, além de livros publicados, como Alif, pela editora Rocco.

   Quanto a arte, temos Adrian Alphona, quadrinista canadense conhecido por seu trabalho em The Runaways Marvel Comics, co- criado com o escritor Brian K. Vaughan. Ele foi contratado para desenhar o segundo volume de Spider-Man - Loves Mary Jane , quando o escritor Terry Moore assumiu as funções da escrita de Sean McKeever , Alphona , porém escolhe  deixar os quadrinhos inteiramente ,  e só supre as tampas para a nova série , assim os deveres de arte foram entregues Craig Rousseau. No entanto, Alphona fez um retorno aos quadrinhos em Junho de 2009 , fazendo arte para o Capitão Bretanha e MI: 13. Anual. Mais tarde, ele chamou Uncanny X-Force junto com Ron Garney .  Mas, foi em agosto de 2013, junto com a  Marvel Comics estreando a série mensal Ms. Marvel, que Alphona retorna com tudo como artista. Seus traços se aliam ao roteiro, deixando esteriótipos de lado e promovem a leitura completa de cada requadro, num desenho que simula pintura, o qua particularmente me agrada, foge das caricaturas e aproxima o leitor das personagens nos convidando a um aprofundamento reflexivo.





  Enfim, Miss Marvel – Nada Normal-  é super recomendado para os amantes do HQ, mas também é um excelente ponto de partida para quem não tem hábito na leitura em quadrinhos e  quer começar. A qualidade e importância da história foram reconhecidas pelas críticas e a HQ já concorreu a diversos prêmios, vencendo o Hugo Awards em 2015 e levando um dos principais prêmios no Festival de Angoulême esse ano. Então, só me resta afirmar: leiammmmmmmmmm porque é tudo de bom e, obrigada Panini, traz logo os próximos !!!  “Não zoa”.




21 fevereiro, 2016

Por trás da máscara - Batman

                                                  A história da criação do HQ Batman

           Batman foi criado e apresentado ao público pela primeira vez em maio de 1939, na revista Detective Comics #27. As mentes brilhantes criadoras dessa personagem enigmática foram Bob Kane e Bill Finger, brilhantes ao inovar com um herói sem super poderes, mas com enorme capacidade de auto controle e tudo numa época que clamava por alguém que lhes trouxesse inspiração para um mundo mais justo, já que nessa época, pós guerra, quase todos buscavam algo para acreditar. Talvez, Bob e Bill, não tivessem dimensionado que a personagem, baseada em uma criatura da noite, se tornaria um ícone, além de ser reconhecido como uma das maiores criações da história da literatura ficcional de todos os tempos, angariando fãs em todo mundo a medida que evoluía como enredo.


                                               Bill Finger                                         Bob Kane
                                       

           O desenhista Bob Kane inspirou-se no visual de Black Bat, um justiceiro dos pulps norte americanos criado por Murray Leinster que apareceu na revista Black Bat Detective Mysteries nos anos de 1933 e 1934. Já a ideia de dupla identidade e o fato do herói ser um milionário advém de “A Máscara do Zorro”, de 1920, longa estrelado e produzido por Douglas Fairbanks. Há também, em outras versões, especulações que o desenhista buscou inspiração no filme Nosferatu, clássico do cinema de horror que F. W. Murnau, o qual dirigiu em 1922. Dizem ainda que programas de rádio como The Shadow influenciaram a atmosfera sombria das histórias do Cavaleiro Mascarado. Ainda nesse clima, a inspiração do bat-sinal encontra-se no filme The Bat, de 1926. Contudo, seja qual fora a fonte de inspiração para o clássico Batman, a ideia, desde o início, era que a personagem fosse assustadora e inspirasse medo aos criminosos, por isso o morcego como símbolo, escolha no mínimo enigmática e eficaz para esse propósito, já que o mamífero traz o estigma de duplicidade (rato e pássaro), remetendo a personagem a uma criatura dupla, misteriosa e com sede, mas no caso dele, por justiça. 

                             

            Batman migrou dos quadrinhos para outras linguagens, como desenhos animados, cinema, livros e vídeo games. Mas, no início de sua criação, não teve tanto destaque como o alcançado hoje. Seu destaque começou mesmo com Detective Comics #33, de novembro de 1939 e, muito tempo depois, em Batman #47, de junho de 1948, na qual sua história saiu com maiores detalhes, cativando de uma vez fãs por todos os lugares em que era publicado.

                                                #47                                           #33

                                               

Curiosidade: No Brasil, Batman só chegou alguns anos depois de sua criação, na publicação O Lobinho, de Adolfo Aizen, isso na década de 40. A personagem chegou a ser chamada de Morcego Negro, isso no Globo Juvenil e depois apenas de Homem Morcego. O Cavaleiro das Trevas apareceu também na publicação O Guri, contudo a revista solo só veio em 1953, pela editora Ebal.

             Em resumo, a história de Batman conta a vida de Bruce Wayne, filho do Dr. Thomas Wayne, um respeitável médico e de sua mulher Martha. Bruce foi criado por seus pais na Mansão Wayne até os oito anos, quando uma tragédia mudaria toda a vida dele. Aqui entra Joe Chill, um ladrão pé de chinelo, que assassina seus pais, isso quando voltavam para casa depois de assistir a um filme em um cinema da cidade. Após o ocorrido, originalmente Bruce teria sido criado por seu tio, Philip Wayne, personagem que foi abandonado da cronologia posteriormente. Assim, jurando promover a justiça, Bruce treinou seu físico e intelecto, tornando-se especialista em diversas artes marciais. Ele, ainda, estudou todas as áreas do conhecimento humano que poderiam lhe ser úteis, incluindo química e criminologia. Também aprendeu sobre disfarces e técnicas teatrais, entretanto, ele sabia que apenas o uso dessas habilidades não seria suficiente para fazer com que criminosos o temessem. Dessa forma, elaborou um disfarce cujo único propósito seria assustar os bandidos, os quais, segundo ele, eram supersticiosos e covardes por natureza. No começo, o herói não era aceito pela polícia, sendo considerado um empecilho contra o crime e muitas vezes um alvo a ser capturado e foi somente no começo da década de 40 que o homem-morcego ganhou o respeito dos policiais, homens da lei que também buscavam promover a justiça.

Curiosidade: Batman não se negava a usar armas de fogo em suas primeiras aventuras, o que hoje pode parecer bastante estranha aos fãs da atualidade. Para os que pesquisam, irão observar que na década de 40 o uso de armas era comum, inclusive nas aventuras que se passavam durante a II Guerra Mundial. 
                                                
                Bem, pessoas lindas, Batman é uma das minhas personagens favoritas nos HQs, mas ainda temos muito a explorar dele, coisa que deixaremos para um próximo post. Nesse será abordado a galeria das personagens que permeiam a trama do enredo de Batman, os quais fazem dele uma das histórias em quadrinhos mais fascinantes entre todos os quadrinhos. Abordaremos também a personagem fora dos quadrinhos, em filmes, games e até na vida real. Por isso, não deixe de seguir o blog e conferir todas as novidades que ele tem para te oferecer.

                                             

            Ah, não deixe de expressar sua opinião e se quiser saber algo específico ou contribuir como qualquer informação,  ou mesmo fazer uma crítica , deixe seu comentário. 


Um bat beijo para vocês!!!

   

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